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Crônicas
do Nosso tempo
BEM
ME QUER, MAL ME QUER
No meio do jardim mal cuidado da espiritualidade moderna
há uma flor que desperta a atenção
pela sua aparência sem vida. Plantada com a intenção
de embelezar a existência humana, foi destruída
pela ansiedade comum a todos de ter a vida decidida,
mesmo que por brincadeira, num despetalar sem propósito.
Essa flor representa, figuradamente, e muito bem, a
crença que a maioria das pessoas tem em Deus
(ou, aquilo que costumamos chamar de religião).
Boa parte dessa crença está relacionada
simplesmente à curiosidade pelo futuro, o que
tem dado origem a um sem número de práticas,
ingênuas ou não, com a finalidade de decifrá-lo.
Girar a casa da laranja até quebrar para saber
a letra do namorado; quebrar o anel da lata de refrigerante
com a mesma intenção, são algumas
delas; mas, a que mais encanta, ainda hoje, a grandes
e pequenos, é a velha e conhecida brincadeira
do ‘bem me quer, mal me quer’ (despetalar
uma flor associando fatos ou pessoas, alternada e sucessivamente,
a uma pétala para o bem, e outra para o mal).
Nossa história de vida é construída
por uma quase infindável sucessão de eventos,
aos quais costumamos rotular como bons ou ruins, e não
pode ter como unidade de medida a última das
pétalas, associada ao sucesso ou fracasso. Deus
não está sentado em nuvens, ociosamente,
com flores nas mãos, à semelhança
dos deuses da mitologia grega, decidindo o destino de
pessoas.
O Criador gosta de jardins bem cuidados. Deu ao homem,
logo no princípio, o melhor deles, para que fosse
um templo aberto para comunhão permanente com
Ele. Como filhos de Adão, atingidos por sua decisão
de abandonar essa maravilhosa convivência, somos
obrigados a lidar cotidianamente com decisões
e responsabilidades que por vezes excedem nossa capacidade
e força. Entendê-las como uma mera sucessão
no vazio do acaso é tão abstrato quando
a brincadeira com a flor.
A beleza e o colorido da vida estão na comunhão
com Deus. Como parte do seu plano para restaurá-la
às condições originais, o mais
hábil dos jardineiros, Jesus, foi colocado sobre
o jardim da nossa existência. Desde então
ele tem se ocupado em evitar que estejamos a nos despetalar
em busca do que não tem valor para a vida eterna.
Ele tem nos ensinado, criteriosamente, a entender que
“Deus faz com que todas as coisas concorram para
o bem daqueles que o amam, dos que são chamados
segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28).Não
vale à pena viver sofrendo com cada evento ruim
de nossa vida, culpando a Deus por fracassos ou perdas.
É muito triste chegar ao fim da vida como uma
flor despetalada pela sorte do mal. Antes, é
muito melhor crer que “Deus nos predestinou para
sermos conformes à imagem de seu Filho (...)”
(Romanos 8:29).
No jardineiro fiel temos a certeza de que a boa obra
que Ele começou em nós, cf. Romanos 8:29,
será aperfeiçoada, até o momento
em poderemos dizer em caráter definitivo: “Deus
bem me quer” (cf. Filipenses 1:6).
Pr. Wilson
** Grande parte das ‘Crônicas do nosso tempo’
está armazenada no blog http://prwilsonavilla.blogspot.com/
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